Poesias e Outras Coisas

Porque eu queria que a vida fosse suficiente

Eu só saí 19:58

Eu só saí pra latir porque ninguém mais me entendia
E latindo eu descobri mais de mim do que deles
Cachorros, cadelas, em casa, vadios, soltos e presos
Todos latiam respondendo à minha lamúria
Uns acharam estranho, outros, engraçado
Mas todos responderam, os mais atrevidos queriam vir comigo
Eram vadios, assim como eu, a sombria e convidativa noite...
Era só o que precisávamos e lá íamos nós, latindo, felizes
Ruas com poucos bípedes, significava então, a liberdade do deboche
rir escancaradamente e ser simplemesmente normal
É claro que estes também me classificaram, conjeturaram sobre o mal que me possuía
Era um louco, coitado! Deixa-o ir em sua paranóia canina
E eu, só latia! Pra mim e pra eles e nada mais
Libertava-me das verborragias intelectuais que não conseguem alcançar o âmago
Não queria ser eu um cachorro, estava apenas me comunicando
E assim, aprendi outro meio de ser notado e não notável
Por conseguinte, senti-me aliviado, por saber que ainda há meio
Há como eu dizer o que sinto, o que penso e o que creio ser
Sem aborrecer, sem chatear, sem ruídos da comunicação
Latir em alto e bom som! Escancaradamente...

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